17 de outubro de 2026

QUANDO

 

QUANDO
Letra e música: Flávio Almeida

Quando não, talvez.
Quando sim, quem sabe.
Quando for, vamos ver.
Quando der, vai saber.

Quando quer, corre atrás.
Quando faz, dá pé.
Quando tem, diz amém.
Quando é, tenha fé.

Quando.
Quando.

Quando não, talvez.
Quando for, vamos ver.
Quando quer, corre atrás.
Quando tem, diz amém.

Quando.
Quando.

Quando sim, quem sabe.
Quando der, vai saber.
Quando faz, dá pé.
Quando é, tenha fé.

Quando não, talvez.
Quando quer, corre atrás.
Quando for, vamos ver.
Quando tem, diz amém.

Quando.

HOMILIA

 

HOMILIA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Não mereço o teu apreço,
nem a multiplicação
desses pães e desses peixes
que trouxe em meus braços
de muitos plurais.

Não é flor o que é dor,
nem é sonho a realidade.
Que o Senhor esteja conosco
até o dia que Ele
nos deixar.

Que aconteça e apareça,
o resto passa,
e a gente fica bem
com os homens
e com Deus.

Não mereço o teu apreço.

16 de outubro de 2026

BRASILEIRANDO

 

BRASILEIRANDO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Meu Brasil
brasileiro,
sol moreno,
tropical.

Pátria amada,
salve, salve.
Índios, brancos,
negros, nós.
Da senzala
ouça a voz,
casa grande,
as gerais,
os sertões,
litorais,
céu e mar,
sal e som.

Brasil brasa mora.
Brasil Amazônia.
Brasil bossa nova.
Brasil made in mim.

Brasil brava gente.
Brasil liberdade.
Verde e amarelo,
branco, azul-anil.

Brasil brasileiro.
Brasil, meu Brasil.

15 de outubro de 2026

PENHOR DA IGUALDADE

 

PENHOR DA IGUALDADE
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

A minha voz tem um desejo forte,
que nem a morte vai desafiar,
que nem o tempo vai redimir
e nem a dor vai suportar.
Que nem a lei vai proibir,
enquanto eu puder cantar.

As minhas mãos têm um segredo,
que nem o medo vai conquistar,
que nem o amigo vai trair
e nem o homem vai consagrar.
Que nem a palavra vai resistir,
enquanto eu puder calar.

Meus olhos têm uma certeza
que nem a tristeza vai alegrar,
que nem o corpo vai seduzir
e nem o sol vai clarear.
Que nem a fera vai agredir,
enquanto eu puder olhar.

Meu coração tem uma esperança
e não se cansa de tanto esperar,
que nem a noite faz desistir
e nem o dia faz despertar,
que nem o peito vai possuir,
enquanto eu puder sonhar.

Enquanto a vida pedir,
enquanto eu puder ficar.
E quando eu puder sorrir,
e quando eu puder pensar.
Seja na hora de sentir,
seja na hora de chorar.

14 de outubro de 2026

PEQUENA CANÇÃO

 

PEQUENA CANÇÃO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Toda razão vem de ti, meu bem.
E me pergunto: por quê?
Se entre nós dois existe a dor
e o teu olhar negro e distante
é o que restou.
Se tocando o meu violão
eu penso em ti, faço canção
de amor.
Nada é breve, entanto meu portanto,
em pranto deixo esse meu canto,
adeus.

12 de outubro de 2026

SAUDADE DE PATROCÍNIO

 

SAUDADE DE PATROCÍNIO
Música: Paulo Machado
Letra: Flávio Almeida

Quando estou distante,
ausente de ti,
eis que se aproxima
em silêncio a saudade.

Tens todo o meu amor,
oh! primor de cidade,
és a liberdade
e estás presa a mim.

Eu vejo que aqui
há um céu mais azul
e o brilho do sol
aquece a luzir.
Até parece que a tarde a cair
me invade,
saudade é assim.

Aqui é que serei,
aqui me fiz.
Por aqui me criei
e viverei feliz.

A vida que me dás
é paz sem-fim.
És um bem sem-igual.

A vida que sonhei
e sempre quis.
E nada mais direi,
porque teu ar me diz.

Respiro com prazer,
respiro em teu louvor.
Cidade pra viver
é Patrocínio, meu amor.

10 de outubro de 2026

CHEIRO DE MATO

 

CHEIRO DE MATO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Cheiro de mato
no crepúsculo da tarde.
Vento venta exato,
acalenta a dor que arde.

Na noite adormece
a flor molhada de sereno.
A estrela incandesce
no azul de tom ameno.

À Terra, ao céu, glória.
À Terra, ao céu, glória.

Dos olhos alienados,
a paisagem distante e rara.
O fruto dos pecados
seiva amarga, pele clara.

No princípio da criação
um desejo de paraíso.
Revelar a ilusão
de esperar o último juízo.

Ao homem, próprio Deus, glória.
Ao homem, próprio Deus, glória.
Glória, glória.

LOUVAÇÃO A VINÍCIUS

 

LOUVAÇÃO A VINÍCIUS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Louvado o pai,
o espírito santo, louvo.
Louvar Vinícius,
poeta de nosso povo.

Por mais que louve,
não será louvado bem.
Em nome do pai,
do espírito santo, amém.

Para uma menina
com uma flor.
Não é imortal,
infinito é o amor.

De tudo atento
serei e sempre e tanto.
O riso chorar
e derramar meu pranto.

Poeta, profeta
da lua nova,
tua poesia
se renova.

8 de outubro de 2026

NAVALHA

 

NAVALHA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Quando era tempo de agora,
você foi-se embora.
Muito é pouco,
morte é demais,
vivo aos poucos,
morro de vez.

Você chegou de repente,
de repente eu te vi,
o mesmo sorriso,
o mesmo olhar,
e era preciso
de novo te amar.

E até parece
o corte da navalha,
se numa ele fere,
na outra ele entalha.

VERA

 

VERA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Vera quem era
quem dera eu ser
Vera que espera
a bela e a fera
não era quem era
quisera eu saber

Será sincera
mera quimera
Vera pondera
que Vera é você?

Fera que é bela
me considera
o amor impera
Vera viver
na primavera
Vera verá

MINAS GERAIS (SEGUNDA VERSÃO)

 

MINAS GERAIS (SEGUNDA VERSÃO)
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Sou igual menino,
sem destino
a brincar.
Se a vida castiga,
sou de briga,
sei perder e sei ganhar.

Eu quero é seguir em frente,
ó gente,
eu quero é ser cantor.
Eu quero ser diferente,
ó gente,
eu rimo amor e flor.

Nunca digo o que faço,
o que fiz ou vou fazer.
Se sei, finjo que não sei,
se não sei quero saber.
Não laço boi com embira,
digo a meia em vez de amém.
Cautela e água benta
não fazem mal a ninguém.

REFRÃO
Ó Minas Gerais,
ó meu grande bem.
Ó Minas Gerais,
ó meu grande bem.
Eu peguei o trem,
eu peguei o trem,
o trem tá chei’,
eu tô também.

Eu não ando no molhado
e nem piso no escuro.
Falo tudo abreviado,
nem a pau compro fiado,
só besta é que paga juro.
Muito tenho pelejado,
pra comer tem que dar duro.
Entre serras e cerrados,
em Minas tenho ar puro.

REFRÃO

Devagar que eu tenho pressa
e não dou ponto sem nó.
Não meto a mão em cumbuca
e não canto em dó maior.
Confio desconfiando
e sei a Bíblia de cor.
Confio desconfiando
e sei a Bíblia de cor.

REFRÃO

6 de outubro de 2026

MINAS GERAIS

 

MINAS GERAIS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Sou igual menino,
sem destino
a brincar.
Se a vida castiga,
sou de briga,
sei perder e sei ganhar.

Eu quero é seguir em frente,
ó gente,
eu quero é ser cantor.
Eu quero ser diferente,
ó gente,
eu rimo amor e flor.

Nunca digo o que faço,
o que fiz ou vou fazer.
Se sei, finjo que não sei,
se não sei quero saber.
Não laço boi com embira,
digo a meia em vez de amém.
Cautela e água benta
não fazem mal a ninguém.

REFRÃO
Ó Minas Gerais,
ó meu grande bem.
Ó Minas Gerais,
ó meu grande bem.
Eu peguei o trem,
eu peguei o trem,
o trem tá chei’,
eu tô também.

Eu não ando no molhado
e nem piso no escuro.
Falo tudo abreviado,
não gosto de pagar juro.
Muito tenho pelejado,
pra comer tem que dar duro.
Entre serras e cerrados,
em Minas tenho ar puro.

REFRÃO

Devagar que eu tenho pressa
e não dou ponto sem nó.
Não meto a mão em cumbuca
e não canto em dó maior.
Confio desconfiando
e sei a Bíblia de cor.
Confio desconfiando
e sei a Bíblia de cor.

REFRÃO

CLARA

 

CLARA
Música: Geraldo Borges
Letra: Flávio Almeida

O brilho claro de uma estrela
iluminando o meu caminho, o meu lugar.
Clarão de luz sobre a estrada,
a inundar meu coração e meu olhar.

Clara, brilhantemente,
é tão urgente a seu lado estar.
Clara, por um instante,
o importante é querer ficar.
Clara, beleza rara,
manhã de sol e noite de luar.

A plenitude do silêncio,
o céu azul abraça o verde do mar.
Reluz em paz todo o universo
e o que sinto enche de luz o seu pensar.

Clara, não seja eterna,
seja infinita enquanto brilhar.
Clara, vem, se declara,
com suas asas me ensina a voar.
Clara, te amo tanto,
que dói no peito só de respirar.

Clara, brilhantemente,
é tão urgente a seu lado estar.
Clara, por um instante,
o importante é querer ficar.
Clara, beleza rara,
manhã de sol e noite de luar.

Clara, te amo tanto,
que dói no peito só de respirar.

3 de outubro de 2026

CONCEITO

 

CONCEITO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Uma vida
nesse instante
que é tão nosso.

Sonha o sonho,
planta a terra
e espera a colheita,
seja farta nossa mesa.

Gira gira girassol,
nesse dia da manhã.
Eu colhendo
o que plantei.

Mãos se erguem,
agradecem o pão,
santificam o perdão.
Protegei o nosso reino,
amém.

BARRAGEM DA USINA

 

BARRAGEM DA USINA
Música: Theo Byla
Letra: Flávio Almeida

A barragem da usina
junta água e não termina.
Água boa para o peixe,
peixe deixe-me pescar.

Peixe deixe-me pescar,
água boa para o peixe.
Junta água e não termina
na barragem da usina.

No silêncio dessas águas
a cidade velha.
Nelas, nova Ponte Nova
se espelhará.

Mar de um cerradão,
mar do sertão, braço de mar.

E eu à margem da barragem,
que grande viagem.
Eu e meus amigos todos
vamos para lá.

Peixe tem a revelia com tal energia,
na água doce da usina hidrelétrica.
Nós ‘tamos aqui para beber e depois pescar.
Água de usina nos determina a turbinar.

No silêncio dessas águas
a cidade velha.
Nelas, Nova Ponte Nova
se espelhará.

Mar de um cerradão,
mar do sertão, braço de mar.

2 de outubro de 2026

SALMO

 

SALMO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Campo de ovelhas
de abismo
de infinito
resta o inferno
tens o céu
aleluia

Tempo de refúgio
de espera
de silêncio
de ciência
de justiça
assim seja

Deste mesmo modo
se deu graças
rendeu glórias
ao poder triunfante
soberano

Aleluia
assim seja
mais e sempre
aqui
e além

Deus é tudo
és um sopro
asa frágil
paz
amém

MUITOS BEIJOS

 

MUITOS BEIJOS
Música: Paulo Machado
Letra: Flávio Almeida

A linguagem do amor
se traduz com sedução.
Um gesto em seu louvor
revela a paixão.
Tua boca diz que sim,
lá vou eu então.
Se queres viver por mim,
tens assim meu coração.

Meus desejos são teus beijos,
que frescor.
Teus abraços em meus braços,
que calor.
Entre beijos e abraços viverei,
e contigo mais feliz sempre serei.

Com meus passos
teus caminhos seguirei.
Meus caminhos
aos teus passos eu darei.
E nos braços de quem amo
quero estar,
com ternura calorosa
a beijar.

1 de outubro de 2026

ESSAS COISAS

 

ESSAS COISAS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Pela carne que é pão
e pelo vinho que é sangue.
Pela dádiva do sonho
e pela lúcida esperança.
Pela mágica do nada,
pelo trágico de tudo.
Pela lógica do avesso,
agradeço essa coisa.

Pela íntima certeza,
essa tímida beleza.
Pelo fogo que acendeu
essa dúvida no tempo.
Pelo jogo da rotina,
essa solidão no vento.
Pela busca desde sempre,
pela voz que canta livre,
na manhã de um céu tão claro
agradeço minha vida.

Pelo pássaro que é pedra
e que voa nesse espaço.
Pelo príncipe regente,
quer mandar dentro da gente.
Pela dívida do apreço,
não mereço essa coisa.
Pela doutrina do certo
o errado vive torto.
Pela palavra que lavra
o desejo de meu corpo,
numa noite tão escura
já padeço minha sorte.

DE DENTRO PRA FORA

 

DE DENTRO PRA FORA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Dentro de mim
a verdade é nova,
essa coisa que me completa.
Sonhar eu sonho
e tudo comprova,
hoje eu sei
que 'inda sou poeta.

Labirinto esclarecido,
não duvido do que sinto,
não exalo se escrevo,
não desprezo esse momento.

Fora de mim essa realidade
esses olhos desvendados.
Trago esse nome
que me preenche,
essa vida, esse silêncio.

Amanheço no futuro,
quando explode essa alegria
de cantar a poesia,
de amar, o amor é dom.

Se me revelo peço desculpas,
minha culpa me eterniza.
Se me enfrento, tenho a virtude
de lutar contra o meu princípio.

Esperança ao meu alcance,
espelhando a claridade.

30 de setembro de 2026

TEMPO BOM

 

TEMPO BOM
Música: Paulo Machado
Letra: Flávio Almeida

Foi um tempo bom o que vivemos.
Temos muita vida pra lembrar.
Tudo o que alcançamos e tivemos.
Demos o melhor de nós.

Foi um sonho lindo que sonhamos.
Vamos reviver o que passou.
Versos ao luar, moçoilas a bailar
e muita música no ar.

Naquele tempo
soprava o vento da juventude.
Tudo tão bem, a gente jovem
e o horizonte era tão longe.

Outra paisagem,
velha cidade, a plenitude.
O vai-e-vem, a gente jovem,
tudo era encanto, felicidade.

Soprava o vento da juventude.
Tudo tão bem, a gente jovem
e o horizonte era tão longe.

Velha cidade, a plenitude.
O vai-e-vem, a gente jovem,
tudo era encanto, felicidade.

NA RUA QUE EU MORO

 

NA RUA QUE EU MORO
Música: Valter Tim
Letra: Flávio Almeida

Na rua que eu moro existe um anjo,
que nunca pecou e que se chama solidão.
Na rua que eu moro existe um homem,
que muito sonhou e se perdeu na ilusão.

Que vive sozinho, sem destinação,
procurando sempre o seu coração.
Que muito ganhou em tudo o que perdeu.
O homem que hoje canto sou eu.

29 de setembro de 2026

REPENTINA

 

REPENTINA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Sou repentina,
a menina de asas.
Venho de mim,
enfim, sou minha casa.

Tenho a luz
que desenha a sombra.
Brinco de ser
assim como sou.

Confesso a tristeza
que trago nos olhos.
Já fui tão distante,
mas nunca tardei.

Sou essa brisa
no sol de cada raio.
Afugento as feras
com meu grito inesperado.

Tenho a luz
que desenha a sombra.
Brinco de ser
assim como sou.

Confesso a certeza
que trago nos olhos.
Já fui tão distante,
mas nunca tardei.

Sou repentina,
a menina de asas.
Venho de mim,
enfim, sou minha casa.

Sou repentina,
a menina de asas.

SENSAÇÕES

 

SENSAÇÕES
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Tanto sonho adormecido,
o amor, a dor,
a imensidão.
Viver, certeza
ao sol da solidão.

Ser um fruto desvairado
no paraíso de teu ser,
proibido, desejado,
quem quiser pode colher.

Meu caminho misterioso
se destina à alegria.
Em meu grito silencioso,
trombetas de cavalaria.

Aproxima-se o fim,
na terra meu corpo
consumido ficou.

Essa arma
que transborda,
me esmaga,
e eu vou.

Ser um fruto desvairado
no paraíso de teu ser,
proibido, desejado,
quem quiser pode colher.

Meu caminho misterioso
se destina à alegria.
Em meu grito silencioso,
trombetas de cavalaria.

Aproxima-se o fim,
na terra meu corpo
consumido ficou.

Essa arma que transborda,
me esmaga, e eu vou.
E eu vou, e eu vou
pro túnel das sensações.
E eu vou.

28 de setembro de 2026

ACORDES DO CORAÇÃO

 

ACORDES DO CORAÇÃO
Música: Paulo Machado
Letra: Flávio Almeida

Os dias que passaram
deixaram emoções.
As ilusões levaram,
ficaram as canções.

Dos sonhos acordei
e acordado vi
que tudo que sonhei
só em sonhos vivi.

As luzes acenderam
nas sombras do passado,
as noites se perderam
comigo acordado.

Os tempos de outrora
agora percebi,
com o passar das horas
até sentiram o que senti.

Eu sei,
tudo mudou,
também mudei.
A primavera era
uma flor de espera
que desabrochou.

E assim,
floriu, cheirou
em meu jardim.
A rosa da esperança
cultivei,
plantei dentro de mim.

Eu sei,
tudo passou
e eu fiquei.
O perfume é saudade,
flor felicidade
que nunca murchou.

Estou em paz comigo,
em paz com Deus,
em paz com meus irmãos,
os meus amigos hoje sei quem são,
só meus amores eu amei em vão.

26 de setembro de 2026

FORROZEIRA

 

FORROZEIRA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Eu sou branco, sou moreno,
sou de toda cor,
fui criado nesta terra
de Nosso Senhor.
Eu sou fruto proibido
para o nosso amor,
meu padrinho, me ajude
seja donde for.

Já andei de pau de arara,
já vazei na braquiária,
me deixei levar.
Já levei tapa na cara
e já dei surra de vara,
botei pra quebrar.

Sou poeta repentista,
cabra rimador,
Patativa era um amigo,
pai e professor.
Estou correndo da polícia
que desafiou
meu revólver, minha faca,
quis ser vingador.

Abro a boca na verdade
e não levanto falsidade,
pergunte ao doutor.
Já andei de pau de arara,
já levei tapa na cara
e odiei o amor.

Vou entrar num avião
pela primeira vez.
Se eu morrer nessa viagem,
aqui, ó, procês.
Não quero choro
nem vela,
nem missa de mês.
Vou andar de avião
pela primeira vez.

Juro que no meu velório,
beata com choratório
nunca vai casar.
E a filha da beata
vai deixar de papeata
e vai namorar.

Eu sou flor que não se cheira
e posso falar,
quem cair nessa besteira,
vai se envenenar.
Arrenego americano,
ai, meu Deus do céu,
esse tal de rock’roll
confunde o meu cordel.

Quando vou numa cidade
e vejo que a mocidade
já se assanhou.
Hoje tudo é diferente,
não é como antigamente,
tempo bom passou.

A grande filosofia
que é minha paixão,
como disse o Waldick,
“sou cachorro não” .
Meu amigo, me desculpe
tudo que falei,
fui rimando e nessa rima
me desabafei.

Eu sou branco, sou moreno,
sou de toda cor,
fui criado nesta terra
de Nosso Senhor.
Eu sou fruto proibido
para o nosso amor,
meu padrinho, me ajude
seja donde for.

DEIXA ACONTECER

 

DEIXA ACONTECER
Música: Valter Tim
Letra: Flávio Almeida

Livre, leve, louco, solto
no estranho mundo
de teu ser,
que não tem nada a ver.

O que eu tenho
é o que te dou,
o que me dás
não quero ter.

Dentro, fora, novo, torto,
foi um erro certo
te deixar,
tanta coisa no ar.

O que é fácil
de entender
não é difícil
de aceitar.

Minha cabeça
está muito além,
chega pra lá,
não vem que não tem.

Ninguém é dono
de ninguém, meu bem.
Quero viver,
deixar acontecer,
deixa acontecer.

CRISTINA

 

CRISTINA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

João amava Cristina
que amava o silêncio da imensidão.
Cristina via em João
a sinfonia, sua poesia, seu toque de violão.

Cristina preferiu José,
rei da boemia, da diversão.
Cristina entristeceu,
ficou sem José, perdeu seu João.

Cristina me conheceu,
me abriu seu coração,
que agora é todo meu;
ela e eu, adeus solidão.

24 de setembro de 2026

DE BEM COM A VIDA

 

DE BEM COM A VIDA
Música: Valter Tim
Letra: Flávio Almeida

Eu estou de bem com a vida,
bons ventos sopram.
Sei que a paz é uma atitude
que ativa a mente.

Meu coração se abre no peito
em seu plantão dia e noite.
Sejam loiras ou morenas,
brasileiras,
essas mulheres que nos magnetizam.

Você me acha um tipo estranho.
Eu não me acanho com tal rótulo.
Eu não rotulo, não dou bola, que se dane.
Quem se preocupa não tem com o que se ocupar.
Desculpa se estou bem.

Eu estou de bem com a vida,
bons ventos sopram.

O SOL E A MANHÃ

 

O SOL E A MANHÃ
Música: Paulo Machado
Letra: Flávio Almeida

Assim será
a face clara da manhã.
Qual noiva de um deus,
seu véu explode em luz.

Sobe ao altar,
de sua força faz o dom.
O sol que ensolara,
louco se declara
à virgem manhã.

Cor,
que festa multicor.
Na brancura da noiva,
um noivo pintor.

Sol,
de delirante luz,
na tela reproduz
as imagens do amor.

Luz,
o verbo que se fez,
com alva altivez
os conduz a um vão.

E no túnel do amor
uma manhã de sol
amanheceu,
nos despertou.

23 de setembro de 2026

QUADRILHA

 

QUADRILHA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

João ama Maria
que ama Joaquim,
que ama Teresa
que jurou gostar de mim.

Abel ama Helena
que ama Caim,
que ama Imaculada
que se apaixonou por mim.

Rui ama Betânia
que ama Crispim,
que ama Solange
que se diz louca por mim.

E foi tanto amor.
- Amor é sempre assim.
Pois quem eu amo mesmo
não quer saber de mim.

E essa estória
termina sem ter fim.

RUMO CERTO

 

RUMO CERTO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Vela solta ao vento,
barco, pensamento e mar.
Onda bate forte,
não há quem suporte
navegar.

Quem não teme
pega o leme,
segue o rumo certo,
certo de chegar.

Quem não morre
no dilúvio
busca algum refúgio,
único lugar.

Quem deseja no futuro
um porto seguro
para ancorar.

Barco dos errantes,
navegante sou.
Barco dos enganos,
no oceano estou.

Mas em terra firme
quero ser muito mais forte,
ter os pés no chão.
Afogar a incerteza,
acho uma beleza
essa imensidão.

Que se abre na esperança
de uma nova crença,
barco da ilusão,
barco da ilusão,
barco da ilusão.

22 de setembro de 2026

CARTA ABERTA AO DRUMMOND

 

CARTA ABERTA AO DRUMMOND
Música: Valdene da Conceição Ribas
Letra: Flávio Almeida

Ah, meu poeta bandido,
só teu verso comovido
traz encantos para a vida,
tão amarga e sofrida,
sem razão de ser.

O retrato de Itabira,
como dói.
No bonde passam pernas
brancas,
amarelas.
O teu coração pergunta,
porém, os teus olhos veem,
porém, os teus olhos veem.

Ah, meu poeta bandido,
só teu verso comovido
traz encantos para a vida,
tão amarga e sofrida,
sem razão de ser.

E aquele anjo torto,
onde está?
Esse mundo sem Raimundo,
tão vasto,
imundo,
sem solução.
Tão vasto,
imundo,
tem solução.

Ah, meu poeta bandido,
só teu verso comovido
traz encantos para a vida,
tão amarga e sofrida,
sem razão de ser,
sem razão de ser.

21 de setembro de 2026

AS BATALHAS

 

AS BATALHAS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

As batalhas estão ganhas.
Meu amor, as artimanhas,
as façanhas mais estranhas,
pois nadei tantas piranhas
e teci muitas aranhas
pra te ver.

A minha heroína treme,
mas o seu herói não teme,
geme tanto, tonto de prazer.
A minha heroína treme,
mas o seu herói não teme,
geme tanto, tonto de prazer.

As batalhas estão ganhas.
Meu amor, as artimanhas,
as façanhas mais estranhas,
pois nadei tantas piranhas
e teci muitas aranhas
pra te ver.

Ele é um sujeito esperto,
camarada mais aberto,
mostra a cobra morta em vez do pau.
Ele é o mais incrível,
fez o impossível,
plagiou seu próprio original.

OLHA O TREM

 

OLHA O TREM
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Eu sou do tipo que não conquista ninguém.
Vivo o momento, a mais completa solidão.
Estou a fim de entrar numas de cantar,
porque cantando sou mais forte, sou mais eu.

Se ando sozinho nem eu sei pra onde vou.
Mas acabo indo, sempre chego, aqui estou.
Nesse vai-e-vem, quem nunca foi
jamais chegou.

Você que me ouve o que houve com você?
Construir castelos amarelos de luar.
O centro do mundo está dentro do prazer.
Quem viver verá o que não há, mas há de haver.
Fere o indiferente, mas a gente chega lá.
Seja o que não haja, o que deseja e sabe ser.

Você que me ouve o que houve com você?
Quem pensa que sabe mais carece de aprender.
A sua pergunta é a resposta que eu dei.
Quem gosta de pouco se contenta com o que tem.
Um deus-nos-acuda, Deus lhe pague e passe bem.
Não fique parado, sai da linha, olha o trem,
olha o trem, olha o trem, olha o trem.

19 de setembro de 2026

VOCÊ ME FAZ SENTIR POETA

 

VOCÊ ME FAZ SENTIR POETA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Você fica sem saber,
eu não sei dizer por quê,
qual de nós vai perceber
o que olha e não se vê.
Certa magia,
estranha euforia,
amor.
Que bom seria
você todo dia assim:
qual o meu beija-flor
a penar toda cor
que o amor sobrevoa.

Você me faz sentir poeta,
cupido a fim de lançar a flecha.
Você me faz sentir sereno,
repleto de paixão e sonhos.
Eu sou sempre assim:
um terno e louco amante
dessas noites desvairadas
sem manhãs.

Qual de nós vai perceber,
eu não sei dizer porquê.
Você fica sem saber,
o que olha e não se vê.

Passou um dia,
manhã, tarde, a noite
caiu.
Você tão plena,
a pele morena assim:
formosura ao luar,
uma estrela a brilhar
no meu céu só de sombras.

Você me faz sentir sereno,
repleto de paixão e sonhos.
Você me faz sentir poeta,
cupido a fim de lançar a flecha.
Eu sou sempre assim:
um índio na Amazônia,
tão livre e natural de tanto amor
por você.

LAMENTO AMOROSO

 

LAMENTO AMOROSO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Hoje eu sinto tanto
seguir como estou.
A morte me revela
que a vida já passou.

O tempo é meu irmão,
meu pai consolador.
Hoje estou tão só,
meu amor.

E me pedem calma:
“Você é um sonhador”.
Mas eu sonho só,
sem amor.

Juro que morro.
Quem sabe? Não sei.
Sem respostas pergunto
o que nunca saberei.

Volto a pressentir
toda saudade e dor.
Vive sem vida em mim
seu amor.

Canto o desencanto,
tristeza e amargor.
Voltou a ser pó
meu amor.
Sou e estou tão só,
meu amor.

CONSEQUÊNCIAS

 

CONSEQUÊNCIAS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Trouxe o cristal brilhante
nas pétalas da mão.
O verbo alucinante,
o gosto da razão.

Trocou a rebeldia, vazia,
por um olhar sereno.
Certa filosofia, sombria,
como contraveneno.

Perdeu o antigamente
nas curvas do destino.
Num cavalo valente
cavalgou como menino.

Sonhou toda viagem,
miragem do que é impossível.
Pintou nova paisagem,
imagem de prazer invisível.

E num reino distante, errante,
a trombeta anunciou,
o ser que é inconstante
garante os sonhos que sonhou.

17 de setembro de 2026

TERMINÁLIA

 

TERMINÁLIA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Vejo através do dia
uma luz que se anuncia
clareando a cidade.
Nada tem a certeza,
pois vive-se em vão
e aqui é que estão
meus amigos,
companheiros de destino,
tão soberbos de razão.

Ó primavera sem flores,
amei os meus amores,
fulgores de paixão.
Quis preencher o vazio
com vozes, delírios,
angústia e solidão.
Quando chegaste sozinha
eu fiquei na minha,
eu todo emoção.

Portas se abriram pela frente,
entrei por todas elas,
olhei muitas janelas.
Segui um corredor, um labirinto,
entrei no ambiente
de tua aflição.

Minha amada, cidade constrangida,
tendências de uma vida
que ainda está pra ser.
Falo de ti com ternura,
canduras do menino
que mal te conhece.
És o pedaço de um todo,
o que vem à tona,
a lava de um vulcão,
extinto coração.

AMÉRICA

 

AMÉRICA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Verde terra do sol,
eu me encontro só,
América sou.

Vento Sul vem do Norte
a girar pelo céu azul.
Rodopia o moinho, o farol,
despenteia os cabelos
da folha da palmeira.

Meu destino é um grande oceano,
Atlântico Sul.
Meu silêncio é um mar sem tamanho,
tão pacífico.

Meu nome é América.
My name is America.
Me nombre es America.

ACALANTO DO ADORMECER

 

ACALANTO DO ADORMECER
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

A noite adormece,
surge a manhã
de um novo dia.

Revive aqueles enganos
que pesam teus ombros
na covardia.

Semeia nesses teus passos
muitos caminhos
de poucas pedras.

Revela aquele segredo,
escuta o silêncio
e aconteça.

16 de setembro de 2026

MALANDRAGEM DO MALANDRO

 

MALANDRAGEM DO MALANDRO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

A esmola quando é muita qualquer santo desconfia,
quem te vê e quem te via pode confirmar.
Sacrifício é um vício na batalha do ofício,
que matando o estrupício faz ressuscitar.

E começou na contramão e se danou,
bebeu demais, se embriagou.
Então perdeu o que ganhou e nada mais,
morreu em guerra de tanta paz.

O seu nome era dele e sua fotografia
ficou na delegacia pra identificar.
Quem não diz tudo que pensa só merece recompensa
quando cai na desavença de poder falar.

Pedro sonhou com a loteria e quem diria,
ele acertou na sorte grande.
Vou arrumar o meu barraco e um cavaco
pro meu menino eu vou comprar.

E com toda essa prenda recebeu a oferenda,
oh! malandro me entenda vou recuperar,
minha nega beijoqueira, minha sogra fofoqueira,
uma vida de primeira pra recompensar
essa ilusão de não mais sonhar,
de não mais sonhar.

E começou na contramão e se danou,
bebeu demais, se embriagou.
Então perdeu o que ganhou e nada mais,
morreu em guerra de tanta paz.

15 de setembro de 2026

BARCO DE PAPEL

 

BARCO DE PAPEL
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Bem depois de te olhar
procurei te ver,
te falei do que será
se acontecer.

Bem depois daqui
vem o lado de lá,
onde o povo foi?,
onde o artista está?

Bem depois da chuva
vem o temporal.
E é natural
a gente querer
um barco de papel,
navegar ao léu.

Bem depois de mim
o fim já começou,
se o povo ouviu,
o artista cantou.

Bons ventos me levem,
porque leve estou,
a gente nem deve
acreditar no amor.

A gente se atreve
no que é breve e bom.
Deixa chover,
é atemporal
e cai do céu.

E é natural
a gente querer
um barco de papel
navegar ao léu.

SENHORA LUA

 

SENHORA LUA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

O lado escuro da lua
atua na tua,
na minha,
na nossa ilusão.

Vê-la no céu a boiar,
redonda pairando no ar,
nua senhora lunar,
minguante, crescente, luar.

Lua que a todos seduz,
abrange a Terra da luz,
que este planeta não cansa,
não para de olhar.

Lua que o homem traduz
na força que a ti o conduz.
A nave é leve e se atreve
em teu solo pousar.

Feiticeira, encanta o céu,
clareando o negro véu.
Solitária, banha em mel,
lua vaga segue ao léu.

14 de setembro de 2026

NESSE CHÃO CRESCEU A FLOR

 

NESSE CHÃO CRESCEU A FLOR
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Nesse chão cresceu a flor,
a flor que eu plantei
no chão que eu cuidei.

Fiz do sol o meu irmão,
a noite eu fiz dormir
no embalo da canção.

Quis sonhar e fui viver,
amar depois sofrer,
cantar pra não morrer.

Quero ser o que serei,
saber o que não sei,
cantando viverei.

VENTO DE PAZ

 

VENTO DE PAZ
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Nada de novo no tempo,
sopra um vento de paz.
E tanto faz o céu sobre nós,
se mal podemos viver aqui.

Vida se vive à sombra de um bem.
Não é legal alguém sofrer porque amou.
Essencial saber dizer um sim um não.
Em cada um não há um só nenhum lugar.
Depois de tudo refeito, começar.

Não tente ver a vertente,
o nosso rio secou.
Água corrente correndo azul.
A cor do amor não é, nem há.

O que dizer a quem não sabe ouvir?
Seria fácil não sentir o que sentimos?
A maravilha consiste em viver
outros amores em vão.

11 de setembro de 2026

TESTAMENTO

 

TESTAMENTO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Vento manso venta
na orquestra dos arbustos,
segue o ritmo da cachoeira.
Sombras movem, sonhos morrem,
fim do dia, Ave Maria,
anoitecer crepuscular.

Jangadeiro pescador,
sou o Conde de Assumar.
E te pergunto, me responde,
cadê os peixes do mar?
Cadê as mágoas da morena?
Cadê as águas do teu olhar?

Coração dilacerado
quase explode dentro do peito.
O meu defeito é
amar o teu defeito.

Seresteiro cantador,
'inda há noite no teu viver.
Amanhece e o sol
voa para o entardecer.
Quem ficar o bicho come,
quem quiser pode correr.

Eu jurei por Deus,
nunca mais hei de jurar.
O rancor do homem não
compensa o perdão.
Dorme a fome,
perdi meu nome
nesse tempo de aflição.

VIOLEIRA

 

VIOLEIRA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Viola, violada, violenta, violante,
afina o teu silêncio pelas mãos do violeiro
e vê se desatina e ensina
a canção popular do brasileiro.

Viola violada quero violar
todo segredo do teu coração.
Viola violácea eu quero tocar
o meu instrumento de perdão.

A voz da esperança é um grito de vingança,
eu canto a liberdade, a verdade, a solidão,
defendo a minha paz, não quero a guerra,
sou filho dessa terra, sou irmão.

Viola violeiro eu quero cantar
um hino que celebre a união.
Viola violema eu quero chorar
o choro triste da violação.

RETIRANTES

 

RETIRANTES
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Joana, Maria,
Teresa, Raquel,
Josué.
Sônia, Helena,
Dasdores, Natália,
José.

Oneida, Regina,
Ramiro da Silva,
Jessé.
Maurício, Helvécio,
Tiago, Geraldo,
André.

Raimundo, vasto é o mundo,
mais vasto é seu coração.
E dói na alma tão fundo
sertão virar solidão.

Leila, Marina,
Vanilda, Clemente,
João.
Ana, Luíza,
Patrícia, Osmar,
Sebastião.

Paulo, Antônio,
Francisco, Luiz,
Conceição.
Lia, Carminha,
Moisés, Cincinato,
Adão.

Jussara, rega e espera
a flor da nova estação.
Há de vingar primavera
na aridez desse chão.

10 de setembro de 2026

MORENA

 

MORENA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Morena que veio de longe,
de um lugar onde o sol
não tem dó.
Tão sem vida,
perdida entre sonhos e pó,
morena me ensina o caminho
em que nele, sozinho,
eu possa seguir.

O dilema que envolve meu canto
é por um pranto que não sei chorar.
Acanhado diante de tudo,
é mudo o segredo
que não sei desvendar.

Minha moça, criança constante,
venha me iludir.
Eu te sigo, venha comigo,
sem saber onde ir.

ESTRELA DE PRIMEIRA GRANDEZA

 

ESTRELA DE PRIMEIRA GRANDEZA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Estrela
que clareia claramente,
quando a gente
segue em frente
rumo ao sol.

Caminho pela noite tão escura,
que sinto escurecer meu coração.
Sou feito luz perdida corpo adentro,
sou medo, segredo,
naquele desejo que vejo nascer
em minha solidão.
Sou flor da paisagem
e nessa viagem
eu peço passagem,
eu peço perdão.

Estrela
de cadência tão brilhante,
diamante
mais distante
que o sol.
Eu quero ter a força do teu brilho,
porque sou filho dessa escuridão.
Eu quero ser menino, ser gigante.

Queria encontrar,
um dia chegar,
te ver, te sentir
na palma da mão.
Queria viver,
um dia poder
ter uma estrela
no meu coração.

9 de setembro de 2026

AMOR SEM FIM

 

AMOR SEM FIM
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Leva o meu sonho,
o meu passado,
meu tormento, meu dilúvio,
o silêncio do meu peito.

Deixa essa lembrança
que me abate,
essa farsa, esse desgosto,
todo o tempo de nós dois.

Mas não se esqueça de mim.
Nunca se perca de mim.
Estou em ti
com um amor sem fim.

Leva a poesia,
o meu nome,
o sorriso e a lágrima
que um dia eu te dei.

Deixa o momento
nessa estrada,
meu caminho tão sem nada,
esse pouco de valor.

Mas não se perca de mim.
Nunca se esqueça de mim.
Estou em ti
com um amor sem fim.

VOCÊ E EU

 

VOCÊ E EU
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Tudo muda
e nunca é nada igual,
o tempo todo
é sempre assim.

O que antes me surpreendeu,
hoje nem sei como aconteceu.
Minha vida, um raio de sol
querendo aquecer
você e eu.

Com seus olhos eu via
o que havia,
tinha muito a ver,
você e eu,
tinha tudo a ver,
você e eu.

Mas o tempo passou,
nisso o mundo girou,
nos perdemos de nós.
O que era ficou,
o que foi não chegou,
nos encontramos sós.

8 de setembro de 2026

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO

 

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Onde nasceu a palmeira
cantou sabiá.
Uma canção verdadeira,
saudade no ar.
Quem não sabia,
hoje sabe
não cabe no mar
o suor ou a lágrima.

Quando cresceu a palmeira
pousou sabiá.
E tão cansado da espera
partiu para lá.
E se chegasse distante,
queria estar
no mesmo lugar.

Quem não sabia então sabe
que a vida não cabe,
transborda no olhar.
A vida é só mensageira sem par,
pura ilusão, a primeira a sonhar.

Vai brilhar no sol
algum raio livre da manhã,
uma nova força da ilusão,
sábio sabiá da imensidão.

Ave que pousa
não ousa um certo senão,
um incerto então.
Ave que voa à toa
conhece o azul
e se abre as asas
é de imaginação.

7 de setembro de 2026

BORBOLETA RARA

 

BORBOLETA RARA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Borboleta rara,
pousa nas pétalas
de meu corpo,
paira no perfume
de meus sonhos,
realiza toda minha vontade.

Não receies,
não te prenderei
nas redes de amargura,
desolação,
violência.

Quero que sejas assim,
reservada, pálida e frágil.
E pra conquistar teu amor
serei ágil com asas
de tua igual semelhança.

6 de setembro de 2026

REVIRAVOLTA

 

REVIRAVOLTA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Já não quero morrer,
muito menos sofrer.
Meu instante é precipício
nesse ofício tão difícil.

Já atirei
a primeira pedra.
O mais completo
se desintegra.

Em todas as coisas,
acima de tudo,
amei a primeira,
a segunda vez.
E na terceira
nem tentei,
cansei de amar.

Fui seu por inteiro,
água e alimento.
Mas foi traiçoeiro
seu fingimento.

No rumo da estrela
o silêncio existe.
Foi legal revê-la,
pena que tão triste.

Por favor, desista
e me deixe em paz.
Baby, hasta la vista,
não te quero mais.

CANTO DE JURAMENTO

 

CANTO DE JURAMENTO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Juro, não sei
dessa tristeza,
mas tens razão,
ela diverte.

Eu que pensei,
andei errado.
Julgo por mim,
ser consumado.

Um entra-e-sai
no coração.
Amor que vai,
desilusão,
amor que vem,
conspiração.

Esse amor
é um bandido,
machuca o peito
tão confundido.

Vamos sofrer,
beber cerveja.
Juro, não sei
dessa tristeza.

Não pode ser,
faz isso, não.
Quero viver
a solidão.
Quero esquecer
meu coração.

4 de setembro de 2026

PLANETA TERRA

 

PLANETA TERRA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Deixe o telefone,
me diga seu nome,
qual seu endereço.
Fale mal da vida,
fale bem da morte
na mesa do bar,
no mesmo lugar.

Beba cerveja, veja
um disco voador.
Que meu desejo seja maior,
pois é melhor que essa dor.

Olhe, Raimundo,
mundo a girar,
todos nessa canção,
tudo tem solução.
Nesse relance
lance o olhar,
busque alcançar a razão.

Se em cada esquina
existe a rotina
de tudo que passa.
O olhar vermelho,
diante do espelho
você é ninguém
e não sabe quem.

Toda palavra, lavra,
de Pedro, pedra e flor.
Que meu desejo
seja maior,
pois é melhor
que essa dor.

O planeta Terra,
um planeta em guerra,
põe tudo a perder.
O planeta gira,
a gente se vira,
a gente respira a falta de ar.

Deixe o telefone,
me diga seu nome,
qual seu endereço...
Deixe o telefone,
me diga seu nome,
qual seu endereço...

Amanhã será tarde demais.
Amanhã será tarde demais.

INVENTÁRIO

 

INVENTÁRIO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Vou te falar das coisas que aprendi
no tempo em que tudo era como eu sonhei.
Hoje estou pensando no que perdi,
pois me esqueci do que ganhei,
e não tem nada a ver com o que pensei.

Muitos amigos presos em muitas prisões.
Aqueles que julguei serem sonhadores.
Hoje estão pagando suas ilusões
nas mãos aflitas dos torturadores,
nas opiniões e nos rancores.

E eu na vida mansa
de muita sombra e água fresca.
Vivendo o dia a dia,
sorriso aberto, cabeça feita.

Estou nesse caminho
e o que não vai bem
a gente ajeita.
Não vou pichar os muros,
o que é esquerda?,
o que é direita?

SONHADOR

 

SONHADOR
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Quando necessito eu grito,
corro e me perco neste mundo.
Sou solitário, desejo o sublime
e profundo... Amor...

Monotonia constante,
olhar penetrante, fogo a arder.
Tenho carícias no gesto,
detesto tudo o que quer ofender.
Só me resta o delírio
de sempre pensar em você, amor.

Realidade tão bela,
orgulhosa e singela,
talhe em flor.
Miragem, imagem,
restante da graça de um sonhador.

Só me resta o delírio
de sempre pensar em você, amor.
Miragem, imagem,
restante da graça de um sonhador,
de um sonhador, de um sonhador,
de um sonhador.

UMA MENINA SIMPLESMENTE MULHER

 

UMA MENINA SIMPLESMENTE MULHER
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Uma menina simplesmente mulher,
de olhar traiçoeiro,
de corpo fagueiro.
Com um pouco de nada,
um resto de tudo.
Na beleza assanhada
um gesto ladino.
Tem no amor desatino
e uma vergonha ocultada.

Suas tranças sem fitas,
seus lábios sedosos,
os dedos carinhosos
e um ar de felicidade.
Calculando a idade
tem um jeito tão louco,
de pureza um pouco
onde se resume essa dor
que me invade.

E todo encanto
penetra e flutua,
deixando a alma nua.
Menina simplesmente mulher.

3 de setembro de 2026

LABUTA

 

LABUTA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Vê se sente essa covardia
que habita em mim.
Vê se lembra do meu gozo
que um dia teve fim.

Mas não chore.
A vida tem suas manias,
tudo passa, qualquer hora
virão novas alegrias.

É tão doce essa aventura
de galgar tantos degraus.
De sentir imensa doçura
nesse amor que vai ao caos.

Chegou ao fim...
Dói até o pensamento,
me corrói um sentimento
ruim.
Vê se sente essa covardia
que habita em mim.

No meu rosto mascarado
busco esconder a desilusão.
O vivido hoje é passado,
tudo em volta ecoa o não.

Mas é assim...
Essa morte repentina
só confunde e ilumina,
enfim...
Vê se sente essa covardia
que habita em mim.

2 de setembro de 2026

CANÇÃO QUE FIZ PRA VOCÊ

 

CANÇÃO QUE FIZ PRA VOCÊ
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Hora de acordar,
despertar a manhã.

Jeito de ser
talvez melhor
do que já fui.
Peito aberto
recebe a luz
do teu olhar.

Jeito de ser
talvez melhor
do que já fui.
Ah, eu te amo
e me perdi
pra te encontrar.

Foge comigo,
vem viver
em perigo,
colher o trigo
e o sol.
Plantar nas coisas
a presença da vida,
cantar o dia
que nasceu.

Solto ao vento a caminhar,
cabelo a embaraçar
e a noite por chegar,
mil estrelas pra contar,
vem a lua a clarear,
me esquecendo de lembrar,
me lembrando de esquecer
você.

Hora de acordar,
despertar a manhã.

FILOSOFANDO

 

FILOSOFANDO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Uma coisa é incompleta
se não completa outra coisa.

Cabeça feita nesse universo,
que é o inverso das pessoas.

Todo cuidado, muito obrigado,
pouco importa essa revolta.

Pode parecer pura bobagem,
essa tua imagem é uma miragem.

De que vale o nome liberdade
se há preconceito com o ser livre.

Deve ser difícil na verdade,
mas toda mentira é falsidade,

Sou ovelha negra no rebanho,
ser ovelha branca é algo estranho.

Vou repetir
tudo o que disse
e só confundi,
mas esclareci
que o entendimento
depende de todos
a partir de nós.

1 de setembro de 2026

VARIAÇÕES EM TORNO DE MIM

 

VARIAÇÕES EM TORNO DE MIM
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Pensem no silêncio do meu nome,
mato a sede, resta a fome
e a liberdade desconheceu o chão,
emigrante da solidão.
Onde penetrei o tempo ausente,
esquecido, inconsciente,
e desvendei a tristeza do meu momento,
nos olhos do pensamento.

Já forcei meus braços,
chorei sorrindo e me confundi.
Canto as variações,
sei que não mudei
no que vivi.
Já dormi no ponto,
pedi desculpas
e me expliquei.
Vivo do imprevisto,
sigo e não desisto,
da verdade não sei.

Nada do que posso
faz saltar a alegria,
faz mover a poesia
do que está em mim,
silêncio que não tem fim.
Nada do que sei me realiza,
só me enerva, não tranquiliza,
vou procurar a terra prometida
em busca de outra vida.

Já cansei de ser
ave limitada
nesse viver.
Basta de monotonia,
quero estar em mim
no dia após dia.
Vê se te apressa,
pois esquecer
é sempre padecer.
Lembra dos olhos meus,
eu vou partir,
até breve,
adeus.

CANÇÃO DE MUITAS FACES

 

CANÇÃO DE MUITAS FACES
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Cada qual sentindo
o peso da consciência,
vivendo ao sol do tempo
da inconsequência.

Nessa margem plácida
divido meu passado.
Me desculpe a culpa
de inocentar o culpado.

Toda essa franqueza
resumindo a fraqueza.
Sei que estou completo,
se errei, hoje acerto.

Cada qual descendo
no solo da vida,
ressentida,
encontrando a paz
que deixou
para trás.

Cada qual seguindo
o rumo indefinido.
Nada mais me consta
vou vivendo nesse sentido.

Atravesso sempre
a mesma estrada
sem atalho.
Penetrando escuro
no silêncio
do barulho.

Reagindo exausto,
perseguindo o teu encalço.
Perdendo o motivo,
quando amei, fui de briga.

Cada qual perdendo
o que nunca encontrou,
se tentou.
Odiando a raiva
na tristeza
de sentir tanta dor.

29 de agosto de 2026

DOCE OLHAR

 

DOCE OLHAR
Música: Theo Bylla
Letra: Flávio Almeida

Doce olhar de quem me vê assim
à procura de um lugar.
Vou seguindo a vida até o fim,
onde chego a me encontrar.

REFRÃO
Se bastasse a dor do que ficou
na esperança de voltar.
Hoje vejo o que é o coração,
quando ama quer me maltratar.

Quando chegar o momento
do silêncio e da certeza,
serei triste alegremente,
hei de alegrar minha tristeza.

REFRÃO

Mais que toda liberdade
de um desejo mais presente,
vou sentir felicidade
nesse encontro sempre ausente.

REFRÃO

Doce olhar de quem me vê assim...

28 de agosto de 2026

LARANJEIRA

 

LARANJEIRA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Laranjeira em flor,
pareces o meu amor.

Tens um perfume perene,
felicidade brejeira,
és meu amor,
laranjeira.

Pássaros que voam,
tuas asas me magoam,
levam o meu sentimento.
Quisera ter esse dom,
deve ser tão bom.

Laranjeira em flor,
pareces o meu amor.

Túneis de escuridão,
anéis de solidão,
morrer é fim.
Adeus, chegou a hora,
o nunca é agora.

Laranjeira em flor,
pareces o meu amor.

Tens um perfume perene,
felicidade brejeira,
és meu amor, laranjeira
em flor.

26 de agosto de 2026

PEDRA BRILHANTE

 

PEDRA BRILHANTE
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Pedra brilhante,
claro evidente,
tesouro urgente
na posse do ser.

Fernão Capelo,
não és gaivota,
o medo importa,
suporta sofrer.

Minha morena,
pequena cigana,
a gente se engana
na gana do ter.

Nada entre tudo,
tudo, entretanto.
Verbo transitivo,
vogal, consoante.

Duas mil cabeças
num pescoço antigo.
Corpo vertebrado
invertendo o estilo.

Moça senhora,
agora é preciso
criar juízo
à sombra do sol.

O doce da cana
profana quem planta
espanta e encanta
o nosso sabor.

Deus é verdade,
não diga mentira,
a gente se vira
e respira o amor.
E nunca atira
pedra em beija-flor.

CHORÃO

 

CHORÃO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Choro nesse choro magoado,
um chorinho repicado,
um chorinho bem marcado
no toque do violão,
um jeitinho mais alegre
de sofrer meu coração,
um chorinho que hoje faço
quando abraço meu irmão,
um abraço meu irmão.

Choro de quem faz tudo que pensa,
que descrê da própria crença,
que só perde, quando vence
o medo da solidão,
que só culpa essa desculpa
quando não pede perdão,
que só canta quando encanta
no meio da multidão,
no meio da multidão.

Choro de um sujeito indignado,
de um sujeito agoniado,
que apesar de sufocado
quer dar sua opinião.
Diz pelo sim, diz pelo não,
só tem mutreta e penacho de pavão,
muita carreta abarrotada de cifrão.
Tem gente eleita beliscando seu quinhão.
É federal a fatureba, a transação.
Faz vista grossa se és homem de visão,
nem mesmo o Chico segurou esse rojão.

25 de agosto de 2026

NARCISO

 

NARCISO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Além da luz de minha dimensão,
imensa é a força do olhar,
que ao me ver eu vejo a imensidão,
mas tenho asas e não sei voar.

Eu vejo o que desejo perceber
e através de mim ser o que sou.
Ao que reflete a luz compete ser
a imagem no espelho em que se mirou.

Olha, Narciso,
não é preciso
fazer cara feia,
deixa essa ideia pra lá,
deixa pra lá.

Veja, Narciso,
leia o aviso,
cria juízo,
seu paraíso sou eu,
sou eu.

BALADA DO CORAÇÃO REAL

 

BALADA DO CORAÇÃO REAL
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Pelos caminhos que eu caminhar
com meu amor quero ir.
Não vou sozinho,
feliz hei de estar.
Ah! Se eu soubesse,
pudesse voar.
Eu voaria no céu de teu ser
- como é azul nosso amor.

Ave! Palavra,
traduz o que diz,
anunciando a manhã.
Os nossos corpos sedentos de sol,
vão refazer nossas coisas.
Foi um prazer te rever,
te encontrar, meu bem.

Achei bonito alguém me dizer:
- O coração é real.
Gosto de sal, saudade me traz
- quero um mar de paz.
Ter na cabeça os versos que eu fiz,
quero também ser feliz.

Quem me conhece,
não sabe quem sou
- maior mistério é viver.
Estou por perto,
porém longe vou,
meu pensamento é distante.
Quero do amor teu amor,
meu amor não me deixes
sofrer.

ANTES AGORA QUE DEPOIS

 

ANTES AGORA QUE DEPOIS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Sofro e reparto
dor e amor.
Eu sei quem fui,
não sei quem sou,
antes agora de que depois.

Canto o silêncio
desse instante.
Sei que estou
e sigo adiante
sempre em busca de alguém.

A vida se esquece
de tudo que vive.
Estou necessitando
do amor que não tive,
pra fundamentar
meu tempo na Terra
e voltar a ser pó.

A pátria é meu sonho,
meu braço a razão.
Meu peito azul
é lavoura do ser,
que vaga em mim
e continua a viver.

E meu limite começa
em teu corpo.
E planta a semente
da fome valente,
e atormenta o espírito
da carne ausente.

Trago o pensamento
na brisa da manhã,
paciente, dúbia, calmamente,
passageira e completa.

Nada é motivo
de tua inconstância.
Nada é real
ao esquecer o passado,
sou mais do presente,
de não saber quem sou,
nem pra onde vou.

23 de agosto de 2026

BELO HORIZONTE

 

BELO HORIZONTE
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Primavera,
vera, vera, vera, veremos
o inverno, o outono
e um sol de verão.

Horizonte belo,
Belo Horizonte,
um concreto armado
no meu coração.

Poderosa, rosa,
rosa poderosa,
flor da ilusão.

Primavera,
vera, vera, vera, veremos
o inverno, o outono
e um sol de verão.

Horizonte belo
Belo Horizonte,
cidade feliz,
mas que felicidade.

Primavera,
vera, vera, vera, veremos
a solidão,
a solidão.

CANTORIA

 

CANTORIA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Minha viola chora meu canto.
Não sou porém nem sou portanto.
Sei que estou e vou procurando
paz e amor e o Mundo guerreando.

Calça US Top, indigo blue,
e Bob Dylan, “blowing in the wind” .
Em Sol maior desbravo o que faço,
se parto não fico, se fico não passo.

Minha alegria é um tanto incerta.
Minha tristeza ficou deserta.
Abaixo assino, encerro o que falei.
My country music, lay lady lay,
lay lady lay
.

How many roads must a man walk down.
Lay, lady, lay, lay across my big brass bed
.

22 de agosto de 2026

SANGUE E PUNHAL

 

SANGUE E PUNHAL
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

O sabor moreno e claro,
a cor amarga e doce,
a saudade, um sangue exilado.

O olhar distante e raro,
sou como nunca se fosse,
a saudade, um punhal cravado.

O sabor moreno e claro,
o olhar distante e raro,
a cor amarga e doce,
sou como nunca se fosse,
a saudade, um sangue exilado,
a saudade, um punhal cravado,
a saudade, um sangue exilado,
a saudade, um punhal cravado.

20 de agosto de 2026

A VOLTA

 

A VOLTA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Ele um dia vai chegar
pelo brilho de uma luz,
pilotando um asteroide azul,
feito anjo que caiu do céu.

Viajante estelar,
virá de qualquer lugar
do universo em expansão,
seu invento e criação.

Ele é o sonho livre dos filhos,
é o deus sol dos brilhos,
luz no orvalho da flor.
Cega os olhos de tanto esplendor.

Vai mandar quebrar os espelhos,
de seus olhos vermelhos
vai brotar uma cor,
qualquer uma que seja incolor.

Vai crucificar os meninos,
vai saber o destino
que a vida levou.
Vai mudar os rumos do amor.

Ele tem dentro de si
uma coisa irreal,
que parece um raio de sol,
o que faz a noite ser manhã.

Vai dar medo ao saber
que você paga pra ver
o começo do seu fim.
Por que tudo é assim?

Vai quebrar a flor dos encantos,
as imagens dos santos
que o homem criou.
Quanta grana o homem lucrou?

Vai pregar a fé da ciência,
a presença da ausência
de tudo que deixou,
renegando tudo o que falou.

Vai tentar dizer o indizível,
vai fazer o impossível,
seja lá como for.
Vai partir assim como chegou.

Ele um dia vai chegar.
Vai partir assim como chegou.

HIROSHIMA

 

HIROSHIMA
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Deixo bem claro
que não tenho sombra
e o teu Deus
é a minha criação,
a tua vida
depende da alma
e a tua luta
nem sempre tem fim.

Fica a certeza
que tudo é incerto.
O sol aquece,
não posso esquecer.
O teu momento
encontrou o perdido,
se amanhece
vem outro anoitecer.

Cada homem é a união,
filho dessa mesma solidão.
Cada grito é uma revolução.
Evoluir não é conspiração.

Somos estátuas
no barro da terra.
O verbo é alfa,
ômega sou eu.
Tudo não passa
de um lance de dados.
Foi ao acaso
que a coisa aconteceu.

Fomos a ave
cheia de graça.
Eu era a bomba,
em vão explodi.
És o caminho,
a verdade, a morte.
Em Hiroshima
foi que renasci.

19 de agosto de 2026

TREM DE FERRO

 

TREM DE FERRO
Música: Geraldo Borges
Letra: Flávio Almeida

Chega o trem de ferro,
dá um berro na estação.
Linhas paralelas
são os trilhos pelo chão.
Passa o passageiro
passaporte em sua mão.
Leva na viagem
a bagagem da ilusão.
É tanta saudade
enche mais de um vagão.

E no bate-bate
rebate café-com-pão.
E no bate-bate
rebate café-com-pão.
Manteiga não,
manteiga não,
manteiga não...

Olha o trem de ferro,
outro berro vai sair.
Velho maquinista acenando:
- Vai partir!
Quem está ficando
está vendo alguém seguir.
Quem está chorando
qualquer dia vai sorrir.

E no corre-corre
vai parar em Pitangui.
Bora Pirapora
Catiara Bambuí.
Salitre Folhados
Ibiá Araguari.
Em Celso Bueno
Patrocínio Piumhi.
Uí uí uí uí...

17 de agosto de 2026

MENINA DOS OLHOS

 

MENINA DOS OLHOS
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

Uma coisa no ar, no olhar,
nessa canção.
O prazer de chegar e sorrir,
o prazer de ficar e pedir
que você seja sempre assim.

Vejo em seus olhos, menina,
chegadas, partidas, caminhos sem fim.
Mas se você não me vê,
não tem nada a ver, olhos pra quê?

Minha menina dos olhos,
morena, a vida espera por nós.
Vamos viver o momento,
soltando ao vento o amor e a voz.

Se você quiser saber
o que eu sinto ao cantar,
olhe bem para você,
ouça o som do seu olhar.

MALDITA DROGA

 

MALDITA DROGA
Letra e música: Flávio Almeida

Mataram um menino.
(A morte está em voga).
“Era esse seu destino”.
“Ele mexia com droga”.

Era um pobre infeliz.
A vida, com estes, joga.
“Morreu na Praça Matriz”.
“Morto por conta de droga”.

“Estava perdido e doente?”
(A realidade interroga).
“Sim, era um dependente”.
“Um dependente de droga”.

Mataram um pobre menino.
Essa dor ninguém revoga.
“Então selou seu destino,
só porque mexia com droga?”

Mataram ali na esquina.
(Sua causa quem advoga)?
“Por crack ou cocaína?”
“Só sei que foi por droga”.

Traficante ou consumidor,
sua pena não se prorroga.
“Era um menor infrator”.
“O que o matou foi a droga”.

Sem nenhum tratamento.
A sociedade não dialoga.
“Já parece sem sentimento”.
“Uma boa desculpa: a droga”.

Seu pai cai em desatino.
Sua mãe em dor se afoga.
“Era só o meu menino”.
“Meu filho... Maldita droga”.

O PALHAÇO

 

O PALHAÇO
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

O palhaço pinta a cara,
veste a roupa colorida,
calça ao contrário o sapato,
nariz engraçado,
da gravata nem se fala,
deita e rola, é homem bala,
cospe fogo, faz um escarcéu.
Só que a lona é inflamável
e o fogo incontrolável,
meu Deus, que fogaréu.
Adeus,
Circo Beleléu.

Quando falo de tristeza
tenho medo de ser triste
como o velho palhaço,
palhaço sem circo,
que achou graça da fumaça,
da fumaça tão sem graça
no picadeiro que se queimou.
Quando o circo veio abaixo,
com escracho o palhaço sorriu
e depois chorou.
Sorriu
e depois chorou.

15 de agosto de 2026

MEU BEM FOI MAL

 

MEU BEM FOI MAL
Música e interpretação: Sérgio Manto Abreu
Letra: Flávio Almeida

Meu bem foi mal,
não te fiz bem.
Um bem-bom
que não se deu bem.
Magoada,
nem quiseste ficar de bem.
Não mais ficar de bem,
belém-bem.
Jamais, nunca voltar a ser teu bem.
Nem eu também, que vou ficar bem.

Ainda bem que eu te quis todo bem.
Ainda bem que eu te quis todo bem.

Se o meu coração continua?
Se o meu coração continua?

...

Bem...

14 de agosto de 2026

MENINA MOÇA

 

MENINA MOÇA
Música: Paula Beatriz
Letra: Flávio Almeida

Saudade não se traduz.
Saudade é um suspirar.
Suspira, menina, suspira,
até lacrimejar o olhar.
Suspira, menina, suspira,
até lacrimejar o olhar.

Lacrimejar de emoção,
tanta coisa pra lembrar.
Tempo de menina-moça,
era doce o seu sonhar.
Sonhadora criatura,
leveza no expressar.
Suspira, menina, respira,
faz da saudade o seu ar.

13 de agosto de 2026

SE EU PUDESSE TE VER TODOS OS DIAS

 

SE EU PUDESSE TE VER TODOS OS DIAS
Letra e música: Flávio Almeida

Se eu pudesse te ver todos os dias,
se todos os dias eu pudesse te ver,
cessariam no peito as agonias,
anestesiaria em mim meu sofrer.

Se eu pudesse te ver todos os dias,
do acordar até o adormecer.
Em meu olhar tu na certa brilharias,
se todos os dias eu pudesse te ver.

Muita luz, ó meu sol, tu me trarias,
meus olhos gozariam de intenso prazer.
Se eu pudesse te ver todos os dias,
se todos os dias eu pudesse te ver.

CARROSSEL

 

CARROSSEL
Música: Aguinaldo Machado
Letra: Flávio Almeida

A cidade é um carrossel.
Gira e roda e roda e gira tanto.
Você pode até ficar tonta
nesse vai e vem de lá pra cá.

Cada um de nós é um palhaço no picadeiro
a representar o seu papel.
Gira a rodar e roda a girar,
a cidade circo é um carrossel.

A cidade é um carrossel.
Gira e roda e roda e gira tanto.
Você pode até ficar tonta
nesse vai e vem de lá pra cá.

Tanta coisa boa ainda existe pra se ver
debaixo da lona azul do céu.
Roda a girar e gira a rodar,
o circo cidade é um carrossel.

A cidade é um carrossel.
Gira e roda e roda e gira tanto.
Você pode até ficar tonta
nesse vai e vem de lá pra cá.

10 de agosto de 2026

DEPOIS DO ADEUS

 

DEPOIS DO ADEUS
Letra e música: Flávio Almeida

Agora que um do outro nos perdemos,
que a memória nunca me falhe,
para que eu não esqueça nem um detalhe
de tudo que juntos vivemos.

Porque pior do que o amor se acabar
é não ter do que se lembrar.
Nem saudade, nem pensamento,
quando não mais restar sentimento.

5 de agosto de 2026

TODO SANTO DIA

 

TODO SANTO DIA
Letra e música: Flávio Almeida

Queria pronunciar palavras
que minha avó sempre dizia.
O que dela a gente escutava
todo santo dia.

Rezei Ave Maria.
Rezei Ave Maria.
Rezei Ave Maria.
Rezei Ave Maria.

ESTRELAS EM TEUS OLHOS

 

ESTRELAS EM TEUS OLHOS
Letra e música: Flávio Almeida

Para quê sair à noite
para contar estrelas?
Já perdi as contas de quantas,
em teus olhos, dei de vê-las.

E ao capturá-las,
em tuas retinas retive-as,
para tocá-las, surpreendê-las.

Retocadas ao sol,
em tuas íris pintadas
aprendi a prendê-las.

São amarelas, azuis,
brancas, invisíveis,
cintilam infinitas
faíscas vermelhas.

Hei de soltá-las,
soletrá-las,
e, no céu de teu olhar,
colhê-las.
E a ti me revelando,
conhecê-las.

Melhor que contá-las
é sabê-las em ti e tê-las.

1 de agosto de 2026

PEDIDO A SANTA LUZIA

 

PEDIDO A SANTA LUZIA
Letra e música: Flávio Almeida

Santa Luzia, ô Santa Luzia,
tô cum pobrema pra resolvê.
Mi ajuda, mi alumia,
só a Sinhora pode intercedê.

Eu tô di ôio numa minina
qui nunca óia pra eu.
Ela é luz di minhas retina
e sem ela é tudo brêu.

Ela é uma gracinha,
só nela eu tenho pensado.
Faiz ela mi oiá, Santinha,
e vê meus óio apaixonado.

Santa Luzia, ô Santa Luzia,
mi ajuda, mi alumia.

MUNDOMINAS

 

MUNDOMINAS
Letra e música: Flávio Almeida

O m de Minas é montanhoso.
O n de Minas noites enluaradas.
O sol nasce e se põe nos ondulados
verde-azulados ancestrais.

A chuva pinga sobre o i de Minas,
gotas barrocas, coloniais.
O a de Minas tem aura de aurora
e o s é solidão, saudade gerais.

26 de julho de 2026

LARI LARÁ

 

LARI LARÁ
Música: Valter Tim
Letra: Flávio Almeida

Vou dizer que te amo
no lari lará que inventei.
Meu amor de dia é sol,
de noite é lua.
Meu amor é chuva fina,
vento, nuvem, neblina,
diamante que garimpei.

Quando notas que toco
o teu corpo em meu violão.
Vivo triste, mas é doce
o sabor da amargura.
Os acordes dissonantes,
as melodias de antes,
improvisos desafinei.

Este lari lará
improvisei nem sei porquê.
Que simplicidade
estou cantando.

Este lari lará
é meu jeito de dizer:
quero me encontrar,
seguir te amando.

23 de julho de 2026

QUE BOM

 

QUE BOM
Letra e música: Flávio Almeida

Que bom que você existe.
Que bom que você é assim.
Que bom que você me permite
ser pra você o que você quer de mim.
Ao me deixar ser totalmente seu
me sinto mais eu, meu, e sem fim.

20 de julho de 2026

ROTAÇÃO

 

ROTAÇÃO
Letra e música: Flávio Almeida

É sempre um sorriso que vem
                        vento

A Terra apressada no além
                      lento

A vida que há e não tem
                    tempo

É Deus que nos quer todo bem
                         bento

TRISTE NAVEGAR

 

TRISTE NAVEGAR
Letra e música: Flávio Almeida

Qual água de rio
vejo teu olhar
abarco o desafio
de triste remar

Vou em rodopio
por seu desaguar
te vendo me guio
sem me orientar

Aporto em navio
vou pleno de mar
garrafas envio
pra nenhum lugar

Ao vento me alio
me deixo levar
teu olhar vi-o
a lacrimejar

De lágrimas o rio
sal pranto de mar
em barco e navio
triste navegar

Sem amor estio
vivo a naufragar
marujo arredio
ancorado no ar

17 de julho de 2026

FRANCIISCANDO

 

FRANCIISCANDO
Letra e música: Flávio Almeida

Onde houver ódio,
que para vencidos e vencedores
não haja pódio.

Onde houver discórdia,
que o discernimento vire bicho
e morde-a.

Onde houver fuxico,
que pau que bate em Francisco
bata em Chico.

15 de julho de 2026

VOCÊ & COMPANHIA

 

VOCÊ & COMPANHIA
Letra e música: Flávio Almeida

Você se pertence.
Você é sua e de si.
Isso soa nonsense,
mas é isso aí.

Você é de você própria.
De você não tem cópia.
Pode parecer kitsch
dizer que não tem kit,
não tem franchising
(ou franquia).
É você, você e companhia.

Você se pertence.
Você é sua e de si.
Isso soa nonsense,
mas é isso aí.

Você é de você própria.
De você não tem cópia.
Pode parecer kitsch
dizer que não tem kit,
não tem franchising
(ou franquia).
É você, você e companhia.

CIRANDA DA BEM AMADA

 

CIRANDA DA BEM AMADA
Letra e música: Flávio Almeida

Ora viva
bem amada
pela estrada
vamos nós
De mãos dadas
lado a lado
sempre juntos
nunca sós

Caminhos
caminhadas
não se canse
meu amor
Companheira
de jornada
eu só vou
se você for

13 de julho de 2026

TIM-TIM

 

TIM-TIM
Letra e música: Flávio Almeida

Eu sempre pensei (pensei),
ela não é pra mim,
pois me enganei,
é sim, é sim, é sim.

Quase bobeei,
ela não tá a fim,
mas agora eu sei,
tá sim, tá sim, tá sim.

Assim bebemorei,
tim-tim, tim-tim, tim-tim.

SÓ

 

SÓ
Letra e música: Flávio Almeida

Só,
tão só estou,
sozinho vou,
solitário sou,
sem ser
abrigo.

Só,
mais só que o sol,
mais só que Deus,
mais só, só eu,
mais eu e eu
comigo.

Só,
tão só ou mais,
de bem,
de boa,
na paz da paz
sigo.

NO TEMPO DO VAI E VEM

 

NO TEMPO DO VAI E VEM
Letra e música: Flávio Almeida

No tempo do vai e vem,
eu ia e vinha, você também.

A gente assim se cruzava,
a gente então se olhava,
um ao outro cortejava,
e eu logo já te chamava
de querida, de meu bem.

Depois de tantas flertadas,
cupido dando flechadas,
eis nós dois de mãos dadas.

No tempo do vai e vem
a paquera andava à solta,
mas isso faz tanto tempo,
ninguém mais sabe o tempo
que esse lindo tempo tem.

DEUS É BONZINHO

 

DEUS É BONZINHO
Letra e música: Flávio Almeida

Tirante o tanto
que me deixa sozinho,
o quanto me faz
me sentir pequenininho.

Não me dar asas
para eu virar passarinho,
não guiar São Francisco
a cruzar meu caminho.

Não me dar comunhão,
corpo-pão, sangue-vinho.
Apesar de toda onipotência,
Deus até que é bonzinho.
Apesar de toda onipotência,
Deus até que é bonzinho.

11 de julho de 2026

FIQUE MAIS

 

FIQUE MAIS
Letra e música: Flávio Almeida

Você tocou meu coração
com seu olhar.
Você mudou minha visão
com sua paz.
Você chegou e ocupou
um bom lugar.
E agora eu quero
que você fique mais,
e que nunca, jamais,
se vá.

Seja pra sempre o amor
que eu merecer.
E que pra você eu seja
o melhor que eu possa ser.
Que entre nós só a verdade
se faça ouvir.
Seja infinita a liberdade
de nosso sentir,
luz e sensibilidade
nosso existir.

8 de julho de 2026

AMIGO APAIXONADO

 

AMIGO APAIXONADO
Letra e música: Flávio Almeida

O fato de eu ser teu amigo,
do tipo apaixonado,
será que tem perigo
de evoluir pra namorado,
pra lá e pra cá contigo,
andando lado a lado,
como se meu umbigo
ao teu fosse ligado.

Fica sempre comigo,
sou bem intencionado.
Se não der namoro não ligo,
me dou por conformado.
Sendo teu bom amigo
sei o quanto sou amado.
Sendo teu bom amigo
sei o quanto sou amado.

3 de julho de 2026

ESTÁ PRA NASCER

 

ESTÁ PRA NASCER
Letra e música: Flávio Almeida

Sim, acho que mudei de cor
quando, quase sem querer,
eu, carregando o meu andor
escutei ela dizer:
Seja lá como for,
ele há de me querer.
Estarei ao seu dispor,
tudo eu hei de fazer.

Sabe, dei muito valor,
mas não pude corresponder.
A ninguém causarei dor,
e no fim amar é sofrer.
Se eu nasci pra ter um amor,
esse amor está pra nascer.


Não foi nada animador,
eu a vi emudecer.
Ou, então, constrangedor,
já que ela não quis entender.
Demonstrou seu amargor,
quer ganhar sem saber perder.
Perdeu aquele frescor
que antes demonstrou ter.
Expeliu, enfim, o bolor,
mostrou o seu jeito de ser,
cega em seu rancor,
só porque a fiz saber:
Se eu nasci pra ter um amor,
esse amor está pra nascer.


Eu lhe disse: Por favor,
acalme-se, o tempo a fará ver.
Eu não quero ser enganador,
nem pretendia te ofender.
O meu não foi avassalador,
transtornada, se viu sem poder,
mas com um ódio destruidor,
que eu até cheguei a temer.
Felizmente o tempo é senhor;
ela ainda vai me agradecer:
casou, tem filhos, um lar protetor,
e eu aqui continuo a dizer:
Se eu nasci pra ter um amor,
esse amor está pra nascer.

30 de junho de 2026

SIM

 

SIM
Letra e música: Flávio Almeida

Sei que você pensa que não,
mas sim, sim, sim, sim.

De madura a fruta apodrece.
O silêncio nunca ensurdece.
Nem sempre a razão prevalece.
Nem tudo é o que parece.
Nada seria assim.

Sei que você acha que não,
mas sim, sim, sim, sim.

Ter e não ser empobrece.
Idéia fixa endoidece.
Vai indo a gente envelhece.
Tudo passa, mas acontece.
Você ficou e eu nunca vim.

Você diz que pensa em mim.
Cheira pó de pirlimpimpim.
Queixa a falta de dindim.
Quer dar golpes de Shaolin.
Até que ponto isso é ruim?

Sei que você jura que não,
mas sim, sim, sim, sim.

Sem cabeça o corpo padece.
Fingir alegria entristece.
Até quem não merece carece.
Antes não sêsse, mas ésse.
Sonhos com gosto de fim.

Sei que você grita que não,
mas sim, sim, sim, sim.

Deixe que seu filho se expresse.
Sem a fé não adianta prece.
Ver tevê demais emburrece.
Você tá deprê ou é estresse?
Quebrou as taças no tim-tim.

Na frente do altar você diz sim.
Na hora de negar você diz sim.
À mesa do jantar você diz sim.
Às ordens do patrão você diz sim,
sim, sim, sim, sim, sim, sim.
Ou não?

25 de junho de 2026

SAI CHULÉ

 

SAI CHULÉ
Letra e música: Flávio Almeida

Ela é ela
fica só na dela
sentinela
do que é

Ela atrela
sua clientela
e engambela
com cafuné

Tal donzela
jamais foi costela
ou é vitela
ou filé

Por tabela
se diz a mais bela
da janela
do chalé

REFRÃO
Ô ô ô ô
Ô ô ô ô sai chulé
Ô ô ô ô
Ô ô ô ô do meu pé

Tagarela
boca sem fivela
ou tramela
fala até

Diz balela
e se atropela
na novela
vira ré

Se revela
ser meia tigela
é cadela
ou garnisé

Amarela
tem medo que pela
e se congela
é picolé

REFRÃO

A moça em tela
se descabela
e se nivela
à ralé

Se tudo mela
reza na capela
acende vela
diz ter fé

Me flagela
chega a chinela
mas não sela
seu pangaré

Não dou trela
não penso mais nela
peço até
sai chulé

REFRÃO

O NADA

 

O NADA
Letra e música: Flávio Almeida

Quando nada nada nada nada existia,
nada nada nada nada nada nada aqui havia.
Nada nada nada nada era primazia,
nada nada nada nada nada Deus fazia.

Tudo na Terra vazia.
Nem o silêncio se ouvia.
O aquém no além se expandia.
A flor de Eros se abria.
Estrela d’Alva tardia.
Nenhuma bomba explodia.

Quando nada nada nada nada se escrevia,
nada nada nada nada nada ninguém lia.
Nada se aprofundava em vã filosofia
de que nada vezes nada o nada zeraria.

Nenhuma coisa nascia.
E coisa alguma seria.
Não-ser em si estaria
negando a própria autoria.
Sem dor nem anestesia.
Um Zeus sem mitologia.

Nada nada nada nada nada nada nada.
Nada nada nada nada nada nada nada nada.

Quando nada era só nada nada em demasia,
nada absoluto nada relativo nada utopia.
Nada dando ao nada corpo e anatomia,
nada no mapa do nada em nova geografia.

O caos seu véu principia.
O oxigênio asfixia.
A gripe vira endemia.
Museu da ecologia.
Água em pó não sacia.
O sol rebenta energia.
O fim enfim se inicia.
O já criado se incria.
E assim no fim nasce o dia.

Nada nada nada nada nada nada nada.
Nada nada nada nada nada nada nada nada.